HORÁRIO DAS MISSAS

Igreja Matriz
Quarta-feira, às 19h30min
Domingo, às 10h
Sábado, às 19h

Comunidade
São Pedro
Domingo, às 18h30min
Quinta-feira, às 20h

Menino Jesus
Terça-feira: 19h30min
Domingo, às 9h

Campo da Fé

A Cruz e o Ícone de Nossa Senhora percorreram os campos do nosso Brasil, e nas areias de Copacabana foram entregues aos jovens poloneses. Cabe agora aos jovens da Polônia preparar a próxima Jornada Mundial da Juventude.

Esses símbolos da jornada deixaram marcas em nossos campos e cidades, em nossos jovens e em nossas vidas. Tratou-se de uma oportunidade ímpar para cultivo da dimensão místico-religiosa – dimensão esta constitutiva do ser humano. Mas não só! A Cruz continua sendo expressão de tantas cruzes que caracterizam nossa juventude: a cruz da drogadição, do extermínio, da carência de postos de trabalho; a falta, muitas vezes, de referências e referenciais seguros, além das dificuldades de acesso à educação e formação intelectual com qualidade. Neste contexto, os jovens são convidados a não permitir “que a esperança lhes seja roubada”. Esperança de que é possível uma vida mais cristã, uma sociedade mais justa, um mundo de paz. A Cruz e do ícone de Nossa Senhora, criaram condições para que nossa juventude se sentisse mais motivada a assumir o protagonismo que lhe compete na construção de uma sociedade mais humana e cristã.

Os jovens, certamente, representam o potencial de uma sociedade, tanto no presente quanto para o futuro. A partir da experiência de encontro com a pessoa de Jesus Cristo, a Igreja crê estar cooperando para a construção de caminhos sólidos e indicando horizontes, nos quais os jovens de hoje possam ser os homens e as mulheres do amanhã, autenticamente engajados na construção de uma sociedade orientada e sustentada por valores universais, éticos, cristãos.

Tivemos a Semana Missionária. Ela aqueceu corações, favoreceu fraternidade, fomentou laços de amizade, promoveu a oração, propiciou o encontro de línguas e culturas, aproximou vidas! Nossa gente experimentou dias de hospitalidade, de fraternidade, de cortesia, de partilha, de encontro, de oração, de fé. As ‘celebrações de envio’ coroaram um trabalho desenvolvido, por vezes com suor e incompreensões, outras vezes com dedicação, abertura, desejo de consolidar a ação evangelizadora da Igreja em prol daquela parcela da comunidade de fé que representa o futuro, o amanhã; os jovens são motor potente para a Igreja e para a sociedade!

A viagem para o Rio de Janeiro foi desejada, trabalhada, rezada, suada, conquistada... Sabemos do esforço, da dedicação, da determinação da gurizada! Dinheirinho contado; férias arranjadas; dispensa do trabalho; até aulas matadas... Reconheçamos! Nossa gurizada é boa demais! Nós é que, por vezes, queremos ‘segurar as coisas’... Eles, motivados, sustentados, orientados fizerem e fazem acontecer, e continuarão a fazer acontecer! Nós outros é que, talvez, precisaríamos rever algumas práticas pastorais, relativas aos nossos jovens! Não seria, talvez, conveniente unir esforços para promover os jovens no seio de nossas comunidades eclesiais? Criar espaços, lugares, tempos de encontro, de diálogo, oração, estudo?!

O Rio de Janeiro! Chuva, frio, desconfortos... Mas a disposição para participar, o desejo de ir ao encontro de quem acolhia, e de quem era acolhido. Calor humano! Alegria! Solidariedade! Companheirismo! Fé! Comunhão! Encontro!

O Rio! Alojamento distante! Ônibus apertado! Calçado apertado! Banho frio! Banheiros, poucos e fedorentos. Odores, fedores, suor...

O Rio! Lugar de semeadura, campo de treinamento, canteiro de obras! Dispondo-se e aceitando a Palavra de Deus, a multidão se transformou em Campo da fé! Provocados a olhar para dentro de si, todos, em silêncio, foram orientados a pedir ao Senhor a semente do Reino; foram convidados a permitir que a semente geminasse! O campo é lugar de treinamento! Como atletas no time do Senhor, é necessário assumir o desafio, a dureza, a necessidade do treino, da ascese, da disciplina. Assim, se está preparado para o embate, para o combate, tendo em vista a Vida! Mas urge cultivar o diálogo com o treinador, com o mestre; urge deixar-se orientar pelo mestre! A história pessoal, a vida pessoal, o coração, a intimidade de cada um é canteiro de obras. É preciso suar a camisa! Estes constroem a Igreja, se tornam protagonistas da história!

Lá no Rio de Janeiro, mais uma vez ressoou a palavra do mestre e treinador: ‘Ide e fazei discípulos entre todas as nações’! Ouve quem ainda é capaz de sonhar com um mundo melhor, uma civilização mais justa e fraterna; quem se sabe protagonista, quem é capaz de sair de suas estreitezas pessoais, de seus esquemas pré-construídos!

Mas, ainda lá no Rio, a pergunta: por onde começar? E a resposta dada: ‘Por mim e por ti’! Foi dito por onde começar! Condição é abrir os ouvidos, dispor o coração, lançar-se no seguimento, assumir o processo, abandonar preconceitos e rancores!

A experiência do encontro com o Senhor, do encontro com os irmãos e irmãs, a experiência da fé goza de característica particular! Deve ser compartilhada, anunciada, promovida, divulgada, comunicada: “Ide”! É ordem que nasce do amor d’Ele por cada um. E nesse ir, Ele mesmo se torna companheiro.

Nas areias de Copacabana foi dito que o anúncio precisa ressoar com novo vigor, novo ardor, novos métodos; com entusiasmo, criatividade, alegria! Em Copacabana também foi recordado que a resposta à palavra do Senhor – Ide! – é dada em grupo, em comunidade, na comunhão! Sair e ir com coragem e generosidade, para que cada homem e cada mulher possa encontrar o Senhor.

Aos pés do Redentor fomos recordados que evangelizar significa testemunhar pessoalmente o amor de Deus, significa superar os nossos egoísmos, significa servir, inclinando-nos para lavar os pés dos nossos irmãos... Lá, aos pés do Redentor, mais uma vez, pudemos intuir que somente levando o Evangelho e a força de Deus, se pode extirpar e destruir o mal e a violência; se pode devastar e derrubar as barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio, para construir um mundo novo, a paz, a fraternidade!

Pelas avenidas, túneis e praças viam-se jovens alegres, passos firmes, mãos dadas. Praia não deu! São Pedro não permitiu! E assim, o irmão vento e a irmã chuva colaboraram para aproximar, sossegar, reunir, solidarizar, acalmar... O que por vezes os homens não são capazes de prever e organizar, ‘Papai do céu’ dispõe! E não adianta lamuriar-se...

Quanta generosidade, disponibilidade, solidariedade! Quanto espírito de serviço, de colaboração de tantos, para que outros tantos pudessem encontrar Jesus! A generosidade não tira nada de ninguém; ao contrário, oferece, concede, dá! De fato, não se pode esquecer daquilo que lá vivemos, à sombra do Redentor, nas areias e na avenida de Copacabana. Também não podemos esquecer o que aqui realizamos nestes dois anos de preparação para a JMJ! Dificuldades de toda ordem para articular as diversas expressões juvenis; dificuldades para superar vaidades e reducionismos; dificuldades para financiar os diversos momentos. Mas também alegria de poder ter participado de um processo que deu, está dando e haverá de dar abundantes frutos, superando vaidades, vencendo ideologias, ultrapassando reducionismos, rompendo medidas estreitas demais...

 

 

Dom Jaime Spengler

Bispo Referencial Auxiliar da Juventude do RS


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